“Tornaram a chamar o homem que fora cego, dizendo-lhe: ‘Dá glória a Deus! Nós sabemos que este homem é pecador’. Disse-lhes ele: ‘Se esse homem é pecador, não o sei… Sei apenas isto: sendo eu antes cego, agora vejo’. Perguntaram-lhe ainda uma vez: ‘Que foi que ele te fez? Como te abriu os olhos?’. Respondeu-lhes: ‘Eu já vo-lo disse e não me destes ouvidos. Por que quereis tornar a ouvir? Quereis vós, porventura, tornar-vos também seus discípulos?…’. Então, eles o cobriram de injúrias e lhe disseram: ‘Tu que és discípulo dele! Nós somos discípulos de Moisés. Sabemos que Deus falou a Moisés, mas deste não sabemos de onde ele é’. Respondeu aquele homem: ‘O que é de admirar em tudo isso é que não saibais de onde ele é, e entretanto ele me abriu os olhos. Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem lhe presta culto e faz a sua vontade. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. Se esse homem não fosse de Deus, não poderia fazer nada’. Responderam-lhe eles: ‘Tu nasceste todo em pecado e nos ensinas?…’. E expulsaram-no.” (João 9,24-34)
Foi tanto a melhor quanto a pior coisa que já aconteceu a este homem cego de nascença, ter sido “enviado” por nosso Senhor Jesus Cristo ao poço de “Siloé” (que significa “emissário”) para receber sua visão. A “visão” deste homem gera a hostilidade de suas autoridades religiosas, os fariseus, e faz com que ele seja “expulso” de seu meio; do grupo religioso com poder e influência da época.
A “visão” é um tipo de cruz pesada, quando Deus nos “envia” (nos caminhos de nossas várias vocações) a sermos iluminados com mais conhecimento d’Ele e do Seu mundo, seja através da educação ou da experiência de vida, ou ambos. Quando “vemos” mais e entendemos mais, acho que sofremos mais, sob o peso desse conhecimento. Isto é em parte por causa de algumas pessoas em nosso meio, bastante confortáveis para andar na escuridão, e bastante desconfortáveis de serem expostas à luz (como os vampiros!). Mas que eu seja recordado hoje, se eu estiver sobrecarregado com qualquer “visão” problemática que Cristo nos revela, em nossas jornadas carregando a cruz, que é Ele que nos “envia” a isto, e portanto Ele cuidará de nós, sempre que somos chamados a testemunhar Sua luz.
Versão brasileira: João Antunes
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