“Os escribas e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher que fora apanhada em adultério. Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus: ‘Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério. Moisés mandou-nos na Lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes tu sobre isso?’. Perguntavam-lhe isso, a fim de pô-lo à prova e poderem acusá-lo. Jesus, porém, se inclinou para a frente e escrevia com o dedo na terra. Como eles insistissem, ergueu-se e disse-lhes: ‘Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra’. Inclinando-se novamente, escrevia na terra. A essas palavras, sentindo-se acusados pela sua própria consciência, eles se foram retirando um por um, até o último, a começar pelos mais idosos, de sorte que Jesus ficou sozinho, com a mulher diante dele. Então, ele se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: ‘Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou?’. Respondeu ela: ‘Ninguém, Senhor’. Disse-lhe então Jesus: ‘Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar’.” (João 8,3-11)
Estou refletindo sobre nossa reação, na sociedade ocidental moderna, quando alguém em nosso olho público é “apanhado em adultério” ou “no ato” de algum outro pecado relacionado ao sexo. Eu não estou falando sobre atos criminosos como o estupro e a violência doméstica, mas sobre os erros sexuais que são moralmente repreensíveis, mas não legalmente acionáveis, como no caso de Monica Lewinsky, ou do comediante Luis CK, ou do político Anthony Weiner. Nós não apedrejamos fisicamente os culpados até a morte, mas nós prontamente os bombardeamos com nosso clamor coletivo, principalmente nas mídias sociais, a tal ponto que o nome e a carreira do culpado são apagados da esfera pública, sem esperança de redenção, independentemente de suas desculpas ou explicações públicas. (Diferentemente da situação na passagem citada acima, e diferentemente de certos países predominantemente muçulmanos, onde o apedrejamento para o adultério ainda é praticado, nosso “apedrejamento verbal” ao estilo ocidental é geralmente desencadeado contra homens, e raramente contra mulheres.)
Em nosso outrora mundo ocidental “cristianizado” não ouvimos mais a voz de nosso Redentor apelando para a “consciência” de nosso “olho público”, o qual pode ter uma “trave” (Mateus 7, 3ss), e chamando-nos a fazer uma pausa, abandonar nossas pedras, e considerar: “quem de vós está sem pecado?”. Por que Cristo nos chama a observar nossos próprios pecados nessas situações? Não é porque “dois errados fazem um certo” [um erro conserta outro]. É porque, enquanto o nosso “olho” estiver cego pela “trave”, não poderemos dizer, como Ele diz para essa mulher que fora apanhada em adultério: “Vai e não tornes a pecar”, capacitando-a a fazer isso por Sua palavra cheia de graça. Tudo o que temos a oferecer, em nossa falta de autoconhecimento irrefletidamente irada, são pedras que trazem morte, que só podem destruir, e não podem capacitar ninguém a fazer o melhor. Graças Te dou, Senhor, por não nos “condenar”, como tantas vezes fazemos uns com os outros, mas a nos capacitar a fazer o melhor, por Sua Palavra compassiva e cheia de graça.
Versão brasileira: João Antunes
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